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Apesar de estar entre os 10 países no ranking global de investimentos para transição energética, Brasil ainda tem grande potencial de atrair mais recursos

Apesar de estar entre os 10 países no ranking global de investimentos para transição energética, Brasil ainda tem grande potencial de atrair mais recursos

Em 2024, o Brasil registrou US$37,1 bilhões em investimentos para transição energética, o que posicionou o país em sétimo lugar no ranking mundial de nações com maior investimento para esse segmento. 

Apesar da posição de destaque, o valor representou apenas 1,8% dos US$2 trilhões investidos globalmente.

Os dados foram publicados no relatório Brazil Transition Factbook 2025, elaborado pela Bloomberg NEF

Investimentos em transição energética no mundo para o ano de 2024 em US$ bilhões, nos 10 países com maior volume.

A empresa de pesquisa considera que o Brasil “está posicionado para suportar o mundo no atingimento de suas metas climáticas”.  

O país é o líder em matriz renovável entre as nações do G20, com 88% de fontes renováveis para produção de energia elétrica, comparativamente à média de 30% dos países que compõem o bloco. No ano passado, a matriz elétrica brasileira bateu seu recorde de expansão em um ano, com aumento de 10,9 GW na capacidade instalada, maior volume anual registrado na série histórica da Aneel, iniciada em 1997. Em relação à essa expansão da matriz energética, as fontes solar e eólica representaram 91,3% do incremento de capacidade (com destaque para energia solar, que representou mais da metade do aumento de capacidade instalada no Brasil).

Além de sua posição como líder em matriz renovável, o relatório destaca que o Brasil tem uma oportunidade única de assumir maior protagonismo no debate climático mundial a partir da COP30, que acontece neste ano em Belém. O Brasil tem todas as condições necessárias para assumir essa liderança, que pode resultar em maior atração de capital para projetos de transição energética no país.

Conclusão semelhante consta do estudo O Brasil que o Brasil quer ser, encomendado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável – CDESS, que ouviu 90 lideranças e pesquisadores e mais de 3.000 brasileiros de diferentes regiões do país. 

A pesquisa traçou a perspectiva de que a COP30 será uma oportunidade decisiva para consolidar o Brasil como potência ambiental mundial e peça chave  na mediação global, capaz de articular soluções para os desafios da transição energética e da economia verde global.

Investimento para zerar emissões de carbono

O estudo da BloombergNEF também traça um cenário em que o Brasil precisa investir US$6 trilhões para zerar suas emissões até 2050. Isso representaria 6,6% de seu PIB. 

A consultoria destaca que “cada país tem uma história única de descarbonização, mas a do Brasil é particularmente distinta”. Isso porque, aqui, a produção de energia elétrica não é a principal fonte de emissões de carbono, como na maioria dos países (apenas como exemplo, termelétricas movidas por combustível fóssil são muito comuns em países desenvolvidos). 

Para desenhar o “cenário de emissões zero” em 2050, a BloombergNEF focou em todas as fontes relacionadas à energia, em que o transporte responde por 53% das emissões de carbono no Brasil. Isso ocorre em função de os combustíveis fósseis representarem parcela importante da matriz energética. 

A eletrificação, que pode ser a chave para a redução nessa área, cresceu 126% no ano passado e tende a aumentar ainda mais com a chegada de montadoras chinesas ao Brasil.

Para apresentar o relatório, a Bloomberg NEF reuniu especialistas que discutiram entraves e oportunidades para o país atrair uma fatia maior dos investimentos globais em transição energética. Presente no evento, Joaquim Levy, líder da GFANZ (Aliança Financeira para o Net-zero) e ex-ministro da Fazenda do Brasil, resumiu a situação: “O mercado já entendeu que clima é oportunidade. Agora, precisamos provar que o Brasil é onde essa conta fecha”. 

Em nossa visão, uma melhoria regulatória para atrair investimentos estrangeiros, associada a um movimento de queda de juros, seriam fatores importantes para impulsionar o país como potência de transição energética global. Investidores de referência precisam ter maior clareza sobre o ambiente de negócios brasileiro para comprometerem seu capital por um longo período de tempo.

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